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Será que você se lembra da Gurgel Motores, fabricante nacional do primeiro carro popular 100% brasileiro? Essa é uma longa história que começou na década de 40, com o sonho do mecânico e eletricista João Augusto Conrado do Amaral Gurgel de criar um automóvel popular que fosse feito para o brasileiro.

A ideia era promissora e Gurgel conseguiu, com a criação e expansão da Gurgel Motores, produzir o BR800, modelo pioneiro na categoria de automóveis populares. O futuro, no entanto, não foi tão gracioso com a Gurgel, e diversos motivos levaram a montadora a um final precoce.

Mesmo assim, a Gurgel Motores marcou alguns dos momentos mais inspiradores da indústria automobilística nacional. Relembre essa história e veja quais foram os veículos lançados pela empresa em quase três décadas de mercado no Brasil. 

Índice

Logomarca em cor azul da marca de veículos brasileira Gurgel Motores
Design da logomarca da Gurgel possuía linhas retas como os carros da marca (Imagem: Gurgel/divulgação)

A história da Gurgel

A Gurgel Motores, fabricante de automóveis 100% brasileira, foi fundada em 1º de setembro de 1969, pelo engenheiro mecânico e eletricista João Augusto Conrado do Amaral Gurgel. O sonho de criar a montadora, no entanto, vem de 20 anos antes, quando, em 1949, Gurgel se formou na Escola Politécnica de São Paulo com um projeto de conclusão de curso que falava sobre um carro popular que atendesse as necessidades brasileiras.

Gurgel começou fazendo karts e pequenos modelos infantis, com motores monocilíndricos e capacidade para duas crianças. Foi apenas em 1969 que fabricou seu primeiro carro: o Ipanema, um bugue com capota de lona e feito de plástico com fibra de vidro que usava componentes de suspensão e motor da Volkswagen.

Quatro anos depois, o Ipanema ficou mais robusto e se transformou em um jipe, com design quadrado, ganhando o nome de Xavante. Além da carroceria de plástico e fibra de vidro, o modelo tinha um estepe sobre o capô. Em seu chassi, uma grande novidade: uma união de plástico e aço, projeto patenteado pela Gurgel denominado Plasteel. Com tamanho sucesso, esse modelo caiu nas graças do público e permaneceu como um dos principais veículos da Gurgel Motores, sendo encomendado até pelo Exército brasileiro.

Em 1974, Gurgel resolveu expandir a fábrica, com um terreno na cidade de Rio de Claro, interior de São Paulo, e deu um passo ousado: a construção de um carro elétrico, o Itaipu E150. 

Veículo Itaipu E150 da fabricante brasileira de carros Gurgel estacionado em rua
Inovador, Gurgel já havia desenvolvido um carro elétrico em 1974, o Itaipu E150 (Imagem: Wikimedia)

Esse foi um modelo interessante por ter uma grande área envidraçada, quatro faróis quadrados e um limpador do pára-brisa. Além disso, era um minicarro de uso exclusivamente urbano, para duas pessoas, fácil de manobrar e que usava baterias recarregáveis em qualquer tomada de uso eletrodoméstico. No entanto, por questões de durabilidade, capacidade e peso, o Itaipu acabou não tendo o resultado esperado e tornou-se item de colecionador. 

No ano de 1976, um novo carro saía das pranchetas da Gurgel: o X12 TR, com um teto rígido, linhas mais retas, faróis arredondados e protegidos por uma pequena grade, um guincho manual frontal com cabo de 25 metros, um tanque de combustível sobressalente de 20 litros e um pequeno porta-malas para abrigar o estepe e mais um tanque de combustível, esse de 40 litros. Anos depois, o X12 viria a ser rebatizado para Tocantins e passaria por várias atualizações. 

Seguindo o plano de expandir a montadora, em 1979, toda a linha de carros produzidos pela Gurgel até então foi exposta no Salão do Automóvel de Genebra, na Suíça, onde a propaganda do jipe nacional e as vendas foram boas. 

Em 1980, mais um veículo nascia: dessa vez, o Itaipu E400, um furgão de tração elétrica com design moderno e agradável. Na parte frontal, um amplo pára-brisa e pára-choque com faróis embutidos; internamente, o painel possuía velocímetro, voltímetro, amperímetro e uma luz-piloto que indicava carga baixa da bateria; e o motor era um Villares de 11 cv de potência. Quatro anos depois, era a vez do Carajás ser criado: um SUV da época com motor Volkswagen 1.8 e refrigeração líquida.   

Leia também: 7 de Setembro: 7 carros brasileiros de sucesso no mercado

Veículo Supermini, da marca Gurgel, estacionado em vaga de estacionamento em área aberta
Supermini, da Gurgal, foi evolução do BR800 (Imagem: Wikimedia)

Gurgel BR800: o primeiro carro popular

Com mais uma tentativa de inovação, Gurgel resolveu projetar, em 1987, o CENA, sigla para Carro Econômico Nacional, para ser o veículo mais barato vendido no Brasil. Ele tinha um design pequeno e motores Volkswagen modificados, porém foi alvo de um conflito com a família do piloto Ayrton Senna. Com isso, o nome não poderia mais ser usado, sendo substituído, então, em 1988, pela sigla BR800.

O Gurgel BR800 foi projetado para, além de ser o carro mais barato do país, ter 2,9 metros de comprimento, um peso de 450 kg e rodar com um motor 0.8 litro, feito de alumínio e silício, com refrigeração a água e sistema de ignição sem distribuidor. Seu chassi era revestido com uma carroceria de fibra de vidro. 

A campanha para a comercialização do BR800 também foi inovadora: para comprá-lo, era preciso adquirir uma ação da Gurgel Motores S/A, ou seja, a ideia era expandir a produção e capitalizar a montadora. Ainda que fosse um plano ousado, Gurgel conseguiu que oito mil clientes aderissem ao projeto e comprassem o BR800 por meio das ações. 

Dessa forma, as pessoas desembolsaram um valor de U$3 mil dólares pelo veículo mais U$1500 dólares pela ação. E quem apostou no BR800 acabou fazendo um bom negócio: um ano depois, o modelo tinha ágio de 100% e mais de mil automóveis emplacados.

João Amaral Gurgel, fundador da Gurgel Motores, desbruçado sobre um de seus carros e olhando para o alto
O sonho de João Amaral Gurgel se realizou e marcou a indústria automotiva nacional (Imagem: Wikipedia)

O que aconteceu com a Gurgel Motores?

A Gurgel Motores tinha um futuro promissor e inovou constantemente no mercado. Sua queda, no entanto, começou pelo próprio Gurgel BR800, que sofreu com a concorrência e levou, em 1994, à falência da empresa. 

Quando o BR800 começou a ser produzido, durante o governo de José Sarney, a Gurgel recebeu benefício fiscal sobre o IPI do veículo, que se consagrou o pioneiro no segmento de carros populares. No entanto, as multinacionais Fiat e GM criticaram duramente a isenção fiscal, conseguindo, no governo de Collor, o mesmo benefício. 

A concorrência com as grandes montadoras de origem estrangeira se acirrou, e o Fiat Uno Mille, lançado em 1990, se tornou o popular mais vendido no Brasil, obrigando a Gurgel a evoluir o BR800 para o Supermini, um carro com 3,19 metros de comprimento e 1,90 metros entre-eixos que entrou em produção no início de 1992. Esse automóvel veio com a intenção de ser um modelo personalizado, atraente e luxuoso, mesmo que custasse mais caro, mas não foi suficiente para resolver os problemas da Gurgel que, a essa altura, era um pequeno Davi batalhando contra diversos Golias no mercado. A empresa faliu em 1994, com 40 mil carros vendidos em toda a sua história. 

Gurgel X15 Xavante na cor bege em fundo branco infinito
Gurgel X15 tinha vocação aventureira e foi usado como veículo militar (Imagem: Gurgel/divulgação)

A Gurgel como sinônimo de inovação no mercado

João Gurgel não sonhou baixo: ele tinha o desejo de ter sua própria montadora para criar carros populares para o brasileiro – e conseguiu. Mesmo com o fim antecipado da empress, podemos ver que diversas inovações aconteceram desde o início do negócio.

Em 1974, Gurgel já tinha seu protótipo para um carro elétrico. Ainda que fosse algo simples, sem muita potência, um carro elétrico era algo extremamente inovador para a época – ainda mais se pensarmos que, hoje em dia, os veículos eletrificados ainda chamam a atenção do público e só começaram a ganhar alguma popularidade na última década, graças aos carros Tesla. Mesmo assim, Gurgel sonhava com carros elétricos baratos e acessíveis, um desafio que muitas montadoras ainda não conseguiram tornar realidade. 

Se o fator inovação foi muito importante para a Gurgel Motores se firmar como montadora no país e ganhar o respeito de tanta gente na indústria automobilística, ele ainda é um elemento essencial nesse mercado.  Um exemplo disso é a CARUPI, que inovou o modo como se compra e vende carros na internet, oferecendo uma solução totalmente nova para facilitar a vida de quem quer negociar carros usados e seminovos. 

Jovem rapaz sentado em sofá com notebook no colo acessando website da Carupi
Plataforma de compra e venda de carros online da CARUPI também é inovadora (Imagem: Pixabay)

CARUPI: a solução inovadora para usados e seminovos

A CARUPI nasceu de um sonho, como a Gurgel, e também atraiu a atenção de bastante gente no mercado automotivo – desde clientes até investidores estrangeiros que já apostaram em algumas das startups mais proeminentes em seus mercados.

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