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No episódio “The Parking Space” da icônica série de comédia Seinfeld, George Constanza, um personagem neurótico, inseguro, cheio de manias e hilário, se envolve em uma situação curiosa: ao encontrar uma vaga de estacionamento livre em Nova York, George engata a ré para estacionar e, enquanto isso, outro motorista tenta ficar com a mesma vaga, entrando com a frente do seu carro.

Está dado o impasse: ambos veículos estão ocupando um pedaço da vaga e nenhum dos dois motoristas turrões está disposto a ceder. A discussão atravessa o dia e avança durante a noite, em um dos mais engraçados episódios da série.

Parece cômico — e é, claro — mas o roteiro se baseia em um fato amplamente conhecido: a extrema dificuldade de se estacionar um carro em Nova York, especialmente em uma vaga gratuita.

A tensão na busca por alguns poucos metros quadrados livres para acomodar nossos carros não é, porém, exclusividade da Big Apple. Metrópoles de todo o planeta, incluindo as do Brasil, e até mesmo cidades menores sofrem cada vez mais com a escassez de vagas de estacionamento.

A pergunta que não quer calar é: temos muitos carros circulando em nossas ruas? Ou será que existe uma oferta reduzida de vagas? 

Carros e as cidades

Com o rápido crescimento da urbanização no século 20, as cidades se expandiram e, para atender a deslocamentos urbanos cada vez mais longos e frequentes, o número de carros aumentou. Da mesma forma, o fluxo de pessoas das suas casas, nos bairros, até o centro das cidades — onde, geralmente, ficam os postos de trabalho — gerou uma crescente concorrência por um espaço garantido para estacionar seus veículos nessas áreas centrais. 

Rua central de cidade com diversos carros estacionados nos dois lados
Vagas de estacionamento nas áreas centrais são cada vez mais raras - e mais caras (Imagem: Unsplash)

Pela famosa Lei da Oferta e Procura, não deveria causar surpresa que a ideia de cobrar por essas vagas acabaria surgindo naturalmente. Assim, nasceu um dos grandes cismas da mobilidade urbana: a separação entre o estacionamento gratuito e o pago.

Obviamente, a maioria das pessoas é adepta das vagas grátis. Afinal, ninguém gosta de pagar taxas extras para algo que pode ser obtido de forma gratuita — ainda mais nós, brasileiros, que carregamos nas costas um dos sistemas tributários mais pesados do planeta. 

Mas é interessante refletir: se não estamos pagando por aquele espaço, quem está?

Se essa rua fosse minha...

Já é sabido que nossos carros passam mais tempo parados do que efetivamente se movendo. Em nossas garagens, há um lugar reservado para eles. Mas e fora delas?

Há quem defenda que ruas e estacionamentos de espaços públicos devem oferecer gratuidade de seu uso. Em tese, o governo está bancando essa oferta. Mas o problema é que o governo vive de impostos, então, no final das contas, quem arca com os custos de vagas e estacionamentos gratuitos são os contribuintes — ou, simplificando, a sociedade.

Agora, voltemos ao episódio de Seinfeld: George e o outro motorista tinham o mesmo direito de usar aquela vaga. Mas quem abrisse mão de ocupar o estacionamento estaria, em tese, “pagando” para que o outro fizesse uso do espaço. Percebeu o dilema?

Vamos além: até mesmo quem não possui um carro, teoricamente, paga para que outros cidadãos estacionem seus veículos em vagas consideradas gratuitas. Será que isso faz sentido?

Na verdade, há um consenso cada vez maior segundo o qual ruas, avenidas e outros espaços públicos não devem ser considerados como bens públicos, mas como recursos comuns: oferecem acesso livre, mas sua utilização gera custos sociais mais altos do que os benefícios de seu consumo individual.

Mesmo quando está vazia, uma vaga na rua precisa ser mantida pelo poder público. Por isso, por mais que seja considerada “grátis”, fica cada vez mais claro que sim, toda vaga tem seu preço.

O custo de uma vaga grátis

Milton Friedman, economista ganhador do Nobel, popularizou a expressão “não existe almoço grátis” ao revisar uma antiga prática dos bares do Velho Oeste americano, que oferecia “almoços gratuitos” aos clientes - mas desde que eles pagassem pelas bebidas superfaturadas, claro. Friedman aponta como não existe mágica com os números: tudo tem um custo, mesmo que, muitas vezes, seja um custo oculto. 

E se não existe almoço grátis, também não existe estacionamento grátis, certo?

Foi o que o Professor Donald Shoup, especialista em mobilidade urbana, mostrou ao calcular os custos sociais ocultos gerados pelo estacionamento grátis nos Estados Unidos. Segundo o estudioso, criar e manter uma única vaga custa 2 mil dólares ao ano — ou seja, quase 11 mil reais! Em todo o país, são gastos US $127 bilhões para subsidiar esses espaços gratuitos aos motoristas americanos e seus carros.

Shoup vai além: em seu livro “The High Cost of Free Parking” (O Alto Custo do Estacionamento Grátis, em tradução livre para português) ele estima que cerca de 30% do trânsito e dos congestionamentos no centro das grandes cidades seja causado por motoristas procurando uma vaga para estacionar seus veículos. 

Pelos cálculos do especialista, quase 180 mil litros de gasolina são consumidos a cada ano nos Estados Unidos nessa busca incessante — o que também equivale à emissão de 730 toneladas de carbono na atmosfera.

São números que mostram que a procura pela “vaga perfeita” pode se transformar em uma tempestade perfeita em termos de trânsito, urbanização e meio ambiente.

Prédio de estacionamento com vários andares repletos de carros nas vagas
Embora não pareça, toda vaga tem seu preço - mesmo sendo gratuita (Imagem: Pexels)

Estacionamento grátis ou pago: eis a questão!

Muitas soluções para essa questão já foram apresentadas e estão em uso em diversas cidades pelo mundo para tentar equilibrar a tensão entre o uso das vagas gratuitas e pagas. Parquímetros já operam nos EUA desde os anos 1930. Por aqui, no Brasil, talvez uma das mais famosas seja o sistema de estacionamento rotativo, mais conhecido como Zona Azul.

A ideia da Zona Azul consiste em precificar os custos do estacionamento nas áreas centrais da cidade, desestimulando as pessoas a tirarem seus carros da garagem para atividades de menor importância, ou pouco urgentes.

Existem ainda propostas que trabalham com a ideia de leilão de preços dos estacionamentos em ruas e avenidas. Nesse raciocínio, os valores de cada vaga poderiam variar de acordo com local e horário, levando em conta que o aumento da demanda pelo espaço flutua ao longo do dia, atualizando as tarifas em tempo real para manter o sistema fluindo.

Essa ideia encontra uma de suas bases no trabalho do economista William Vickrey — outro ganhador do Nobel — cujo estudo teorizava sobre um sistema de precificação de estacionamentos em ruas capaz de manter um nível mínimo de vagas livres, permitindo melhores fluxos de veículos e um uso mais racional dos espaços.

O próprio professor Shoup colaborou com o desenvolvimento do SFpark, em São Francisco: um sistema que funciona com uma tarifa flexível, que se altera com base na localização e no horário. Segundo o estudioso, um nível de ocupação de 85% das vagas permitiria que o sistema operasse em uma capacidade ótima.

Close em parquímetro de estacionamento com cidade e entardecer desfocados ao fundo
Parquímetros e outros sistemas de controle de estacionamento surgiram ao longo do tempo (Imagem: Pexels)

Vale a pena ir de carro?

No final das contas, fica muito claro que toda a problemática dos estacionamentos se resume ao modo como utilizamos e nos relacionamos com nossos carros.

Sistemas de cobrança de estacionamento, em última análise, nos forçam a sair do automático e refletir diariamente se sair de carro é a melhor solução. Precisamos mesmo nos deslocar dessa forma? Os custos envolvidos nesse deslocamento se sustentam? Não há outra forma de ir e vir mais econômica, racional e sustentável?

Imagine ir até a padaria, distante 3 quadras de sua casa, para comprar 10 reais em pãezinhos, e pagar mais 5 reais para estacionar. Você provavelmente cogitaria a opção de ir e voltar a pé ou de bicicleta, não?

Até mesmo a revolução tecnológica do carro como serviço está alterando o panorama da mobilidade e dos estacionamentos: com soluções de compartilhamento como Uber e afins nos levando pra lá e pra cá, estacionar deixa de ser uma preocupação. Em um futuro — não tão distante, mas também não tão próximo como se imaginava — carros autônomos cuidarão de nossos deslocamentos e estacionar provavelmente será uma operação cada vez mais rara.

Porém, nos dias de hoje, talvez a melhor saída é realmente repensar a forma como utilizamos — e estacionamos — nossos carros e, talvez, até refletir se realmente precisamos deles.

Visão aérea de estacionamento de shopping com muitos carros ocupando vagas ao ar livre
Um sistema de estacionamento mais equilibrado pode melhorar o problema do trânsito nas grandes cidades (Imagem: Pexels)

Bye, bye, carro? Alô, CARUPI!

Pegando carona nessa tendência, muita gente está optando por abrir mão do carro próprio. São pessoas que compreenderam como os custos individuais, sociais e ambientais ligados à posse de um automóvel não se justificam, e resolveram vender seus carros para se deslocar de formas alternativas.

Claro, cada contexto é muito particular e individual, e muitas vezes andar de carro ainda pode ser a melhor opção - talvez até mesmo a única. Mas se você pode prescindir de ter um carro para chamar de seu, vender seu automóvel é uma possibilidade. E, todo mundo sabe: vender carros pode ser uma experiência estressante e desanimadora.

Por isso, serviços inovadores como a CARUPI ajudam mais e mais pessoas a vender seus carros de um jeito moderno, fácil e seguro. É possível fazer tudo pelo app ou website, sem sair de sua casa.

Com a CARUPI, você não precisa enfrentar o cansaço de negociações particulares com desconhecidos que só pensam em barganhar ou apresentam propostas absurdas de trocas. Também foge das mãos de lojistas e concessionárias que, para obter a máxima rentabilidade em seus negócios, pagam valores reduzidos em seu carro para lucrar na revenda.

Jovem mulher em sofá de sala iluminada acessando website Carupi e falando ao telefone
Vai abrir mão do carro? Vender com a CARUPI torna sua decisão ainda mais racional e conveniente (Imagem: Freepik)

A solução de venda de veículos da CARUPI trouxe muito mais conforto e segurança a todo esse processo: aqui, é você quem define por quanto quer vender seu carro. Basta informar qual é o modelo, e a própria plataforma indica o maior valor sugerido. 

A partir daí, um time de especialistas encontra os compradores com as melhores ofertas e cuidam de tudo: buscam e devolvem seu carro para test-drives, checam a documentação, agilizam os papéis de cartório e garantem o recebimento do seu dinheiro. Você? Bem, só precisa assinar — em sua casa, claro.

Quer escapar do drama dos estacionamentos — gratuitos ou pagos — e curtir a liberdade de uma mobilidade urbana mais esperta e moderna? Então venda seu carro de um jeito moderno também: venda com a CARUPI.